A junta de dilatação em piso é um dos elementos mais mal executados nas obras brasileiras — e um dos mais responsáveis por infiltração em sacadas, garagens, áreas externas e lajes. Selar a junta com o material errado (ou sem material algum) garante que a infiltração apareça na próxima estação chuvosa. Neste guia, mostramos como fazer certo.
O que é e por que existe a junta de dilatação
A junta de dilatação (ou junta de movimentação) é o espaço intencional deixado entre blocos de revestimento cerâmico, entre lajes de concreto ou entre trechos de contrapiso. Ela existe porque todos os materiais se expandem e contraem com variações de temperatura — sem a junta, essa tensão racha o revestimento ou cria pressão que descola as peças.
Em pisos externos (sacadas, garagens, terraços), a variação de temperatura é muito maior do que em pisos internos. Um piso de porcelanato escuro em sacada exposta ao sol pode atingir 60–70°C no verão e resfriar rapidamente com a chuva. Sem junta, o porcelanato estufaria e quebraria inevitavelmente.
Espaçamento correto das juntas
A norma ABNT NBR 13753 recomenda:
- Ambientes internos: junta de movimentação a cada 6–8 m
- Ambientes externos (expostos ao sol): junta a cada 3 m
- Sobre estrutura de madeira ou metal: junta a cada 1,5 m
- Sempre: na transição entre ambientes, mudança de substrato e nos cantos
Em sacadas e áreas externas, a junta perimetral (entre o piso e a parede) é obrigatória — nunca rejuntar esse canto com argamassa.
Produto correto para selar a junta
O material de vedação da junta precisa de três características:
- Elasticidade: para acompanhar a movimentação da junta sem rasgar
- Adesão: ao porcelanato, à cerâmica e ao concreto
- Resistência à intempérie: sol, chuva e produtos de limpeza
Os materiais corretos são:
- Selante de poliuretano (PU): melhor desempenho em externo; mantém elasticidade por 7–12 anos; adere a todos os substratos; aceita pintura
- Selante MS polímero (silicone modificado): alternativa ao PU com boa adesão e elasticidade; não amarela ao sol
- Rejunte flexível (Flex): para juntas de até 5 mm em ambiente sem grande movimentação; menos durável que PU
Nunca usar: silicone comum (perde adesão em substrato poroso), argamassa (fissura imediatamente), rejunte de cimento (sem elasticidade).
Passo a passo para selar a junta
- Limpar a junta: remover o material antigo com espátula ou esmerilhadeira. A junta deve estar limpa, sem gordura ou pó.
- Verificar a largura e profundidade: junta de 5–10 mm de largura é o ideal. Juntas mais largas precisam de fundo de junta.
- Inserir fundo de junta: cordão de polietileno expandido empurrado com espátula para dentro da junta, deixando 5–8 mm de profundidade para o selante. Garante que o selante não fique aderido no fundo — o selante deve aderir apenas nas duas laterais.
- Aplicar fita crepe: nas bordas da junta para proteger o revestimento e garantir acabamento limpo.
- Aplicar o selante PU: com pistola de calafetagem, preenchendo a junta de baixo para cima. Evitar bolhas de ar.
- Nivelar com espátula úmida: alisar o selante formando leve concavidade (para escoar água).
- Remover a fita imediatamente enquanto o selante ainda está fresco.
- Tempo de cura: 24–48h para tráfego leve; 7 dias para tráfego pesado.
Juntas em pisos de concreto industrial
Em pisos de concreto sem revestimento (garagem, galpão), a junta de dilatação é cortada com esmerilhadeira e preenchida com selante PU bicomponente de alta resistência. O PU bicomponente suporta tráfego de empilhadeira e caminhão — o monocomponente não. Profundidade mínima do selante: metade da largura da junta.
Como identificar juntas que precisam de substituição
- Selante com fissura longitudinal no centro (perda de elasticidade)
- Selante descolado de uma ou ambas as laterais
- Silicone amarelado, endurecido ou esfarelando
- Mancha de umidade abaixo da junta (infiltração ativa)
Substituição preventiva a cada 7–10 anos é mais barata do que refazer toda a impermeabilização abaixo por infiltração acumulada.